terça-feira, 23 de agosto de 2016

DEIXADOS PARA TRÁS - Por Marcos Granconato

O que aconteceria, na prática, se o dispensacionalismo fosse acolhido pelas igrejas?


1. A idéia de que o pastor é o sumo-sacerdote do Israel atual (a igreja), detentor único da autoridade de dar a bênção apostólica, por exemplo, seria deixada para trás e todos entenderiam que a autoridade do ministro se expressa de outras formas, já que todos os crentes são sacerdotes (1Pe 2.9).

2. A invenção de que o crente deve guardar o domingo como o novo sábado do novo Israel seria deixada para trás, dando lugar ao ensino do NT de que, na atual dispensação, a guarda de dias é opcional, dependendo dos escrúpulos pessoais de cada um (Rm 14.5-7).

3. A crença de que os bebês devem ser apresentados no templo (ou seja, os salões das igrejas) como faziam nos dias do AT seria deixada para trás, havendo o entendimento de que essas práticas cerimoniais não pertencem à presente economia. O máximo que os líderes eclesiásticos fariam, se quisessem, seria informar a igreja de que nasceu um bebê no lar de alguém e orariam pela criança.

4. A prática de circuncidar filhos de crentes por meio do batismo infantil seria deixada para trás, pois, sabendo que a igreja não é Israel, ninguém se veria obrigado a circuncidar ninguém. Tampouco forçariam o conceito de batismo para igualá-lo à circuncisão como fazem os eisegetas reformados.

5. A exigência do dízimo seria deixada para trás, pois saberiam que a era da Lei passou (2Co 3.7-11) e que na presente dispensação as ofertas são voluntárias, sendo preservado o princípio eterno de honrar a Deus com os bens, mas não a norma coercitiva de dar dez por cento de tudo.

6. A alegorização das bênçãos materiais prometidas a Israel (Dt 28.1-14) a fim de aplicá-las à igreja seria deixada para trás, pois haveria clara distinção entre Israel e igreja, estando todos os exegetas livres da necessidade de usar métodos de interpretação espúrios para fazer com que tudo se encaixe dentro do seu sistema preferido.

7. A superstição que propõe que os salões de cultos das igrejas são correspondentes do templo israelita, sendo lugares sagrados ou que devem ser consagrados em cultos especiais seria deixada para trás, sendo substituída pelo ensino de que, na nova dispensação, como disse Jesus, "chegou a hora" em que os adoradores adoram o Pai em espírito e em verdade, no templo do coração (Jo 4.21-24), o que de modo algum anula a necessidade do culto público que, aliás, pode ser feito em qualquer lugar.


Isso tudo explica, em parte, porque o dispensacionalismo é pixado com os mais terríveis adjetivos por muitos líderes evangélicos. Admitir sua veracidade implicaria no reconhecimento de erros cometidos há séculos (um golpe muito forte contra o orgulho) e geraria impactos eclesiásticos e denominacionais extremamente profundos - preços altos demais que poucos estão dispostos a pagar.



Fonte: Perfil Pessoal

 

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